
Ela me segue, por ruas estreitas, becos fúnebres
Dona de meus pensamentos, segredos mais sórdidos
Companheira indesejada, acompanha-me por entre noites gélidas,
Mantém-me de olhos abertos, ouvidos atentos
Deixe-me descansar!
É verdade, tenho medo...
Medos? Paranóias?
Posso senti-la aproximar-se, sorrateira,
Ouço sua risada congelante,
Penetra em meus ouvidos, desfaz-se no ar
Envolta por uma sensação paralisante de dor, sinto o coração gelar,
Espetado por finas agulhas,
A insuportável dor de um amor rompido, destruído pelo medo...
Medos? Paranóias?
Oh, mórbido silêncio,
Sinto-me uma criança perdida,
Com espanto e admiração,
Percebo tudo a minha volta,
Esse mundo deturpado,
Assustada, encolhida nos braços da noite,
Sinto-me invadida,
Pelo medo do mundo que se abre,
Horripilante,
Diante de meus olhos chorosos
Medo de Seqüestros? Pedófilos?
Incesto? Abandono?
E meus pais?!?!
Medos? Paranóias?
Nada se mexe, nada tem vida
Está claro, mas não, há alguém,
Oh! Eu sabia, era ela!
Vem, no seu caminhar elegante, sinto medo,
Seu sorriso sem vida, gela minha alma
Violenta meus princípios, destrói meus planos
Estupra meus sentimentos, desarma minha alma
Estou indefesa, vulnerável, como uma senhora ao ser assaltada,
Como se uma bala, uma bala medrosa, atravessa-se a minha cabeça
O medo adentra meu corpo, tento acalmar-me
-Não reaja! Algo me diz
Medos? Paranóias?
Apodera-se de mim, possui-me, hipnotiza-me
Tua face, desfigurada por lágrimas de dor...
Dor? Tristeza?
Parece-me sozinha, vagando pela eternidade
Em busca de companhia,
Ser SÓ, errante, tenho medo
Medos? Paranóias?
Tento livrar-me, fecho os olhos,
Ela se faz,
Na escuridão mórbida do passar de anos, décadas,
Meus sonhos, pesadelos mais horríveis,
Minhas pálpebras cerradas,
Não vejo nada, apenas ela, uma imagem,
Oh Céus, uma velha! Seu rosto melancólico é-me familiar...
Claro! Como não!
Observo cautelosamente a triste senhora,
Olhar perdido, como se procurando algo na sombria escuridão
Sou eu!
O rosto desfigurado pelo tempo, pela vida,
Minha própria imagem, envelhecida, sozinha,
Navegando por entre os mares eternos da solidão
Envelhecer? Apagar-me?
Medos? Paranóias?
Outra imagem, horrível cena,
Oh! A morte!
Em toda sua graça, seu mórbido esplendor,
Outra dimensão?
O fim de tudo? Um novo começo?
Mistério? Curiosidade?
O maior dos medos... serão medos?
Estou sozinha agora, não, sinto-me vigiada
Grito, Berro
É inútil, não há vida
Mas uma forte sensação... Não!
Não me engano, algo me observa,
Perseguição? Neurose?
Medos? Paranóias?
Oh! Ela de novo!
Parece-me possuída pelo ódio
Outra imagem, outros medos, minhas paranóias, muitas delas,
Não tenho como lutar,
Choro como um bebê faminto,
Soluço como uma criança desesperada,
Tantos medos desenterrados...
Quem és tu?
Afaste-se de mim, ser demoníaco!
Um demônio? Medo de deuses? De não tê-los?
Sentir-me sozinha na imensidão do espaço?
Medos? Paranóias?